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  Dados Pedagógicos - Aspectos Pedagógicos


ASPECTOS PEDAGÓGICOS

      A partir da linha teórico pedagógico escolhida pelo Colégio: Uma Tendência Crítica Interacionista, acredita que o desenvolvimento e a aprendizagem não são resultantes só dos estímulos externos (objetivos), nem só da produção da razão (sujeito), mas fruto da interação dos dois, sujeito e objeto. No interacionismo, cada um dos pólos - sujeito e objeto - entra com sua parte: o sujeito entra com a “forma” de pensamento e o objeto com o “conteúdo” da matéria. A síntese da ação dos dois é que produz, por construção, tanto a mente como o conhecimento.
      A relação de trabalho é de partilha de experiências, participação de cursos, elaboração de projetos pedagógicos por área, festividades, momentos culturais, comemorações cívicas e religiosas, reunião de pais e mestres, jogos esportivos internos e externos, gincana cultural interna e externa e demais eventos educativos que são propostos democraticamente e diagnosticados a partir da realidade escolar. Em seguida, são definidos os objetos, os conteúdos, a metodologia, a interação aluno-professor, a organização e o funcionamento do Colégio. Compete à Direção, ser suporte para que os projetos sejam executados, tendo como objetivo a integração do aluno inserido na sociedade.
      Juntamente com a coordenação, cabe a direção assumir o bom funcionamento do Colégio, modulando cada funcionamento do Colégio, modulando cada funcionário de acordo com sua formação e aptidão. Proporcionar cursos e encontros permanentes é o objetivo do Colégio para melhor aproveitamento dos recursos humanos.
      As reuniões e encontros de professores coordenação para estudos, planejamentos e replanejamentos acontecem em dias pré-estabelecidos.
      Em meados de dezembro, quando cada professor está fechando o planejamento com os pontos negativos e positivos em mente se faz necessário a reunião para análise de trabalho anual, a execução do projeto e as propostas para o ano vindouro. Em outros momentos previamente estabelecidos e sempre que se fizer necessário, no ano letivo em vigor, haverá encontros de estudos e análise do planejamento, troca de experiências e debates sobre o projeto de avaliação e ensino-aprendizagem.
      Ensinar é expor-se ao educando com a finalidade de auxiliá-lo empenhadamente a encontrar a ciência pelo caminho da consciência, consciência que é: do outro, do mundo e de si mesmo. Noutras palavras, o Colégio se preocupa com a formação contínua do aprendiz proporcionando-lhe oportunidade para estudo, debate, críticas e aperfeiçoamento. Cumpre aos educadores o objetivo e exercer o ensinar é desencadear conflitos, e tornar claro entre alienação e consciência político-social. In Signare: marcar com o sinal da paixão de viver e conhecer, conviver e participar. Está claro a razão pela qual o ensinar e o educar proposto pelo Colégio jamais poderá ser apolítico, onde o educador desempenha o papel de mediador entre conhecimentos e aluno.
      O Colégio Aphonsiano enfoca a necessidade da mudança de alguns fatores dentro da sala de aula, caminhando do paradigma positivista (dialético) para o paradigma da complexidade, atendendo o bem de seus alunos, visando a formação do homem em sua totalidade e não apenas proporcionando uma roupagem nova ao que já existia.
      O paradigma da complexidade implica em crescimento progressivo para a busca da autonomia na educação partindo da escola na qual o professor é ao mesmo tempo investigador e sujeito de investigação. Os projetos desenvolvidos não são apenas políticos, mas pedagógicos, sem uma visão determinista, dentro da complexidade evolutiva e interativa, vivenciando valores, criando espaços para que os educandos se experimentem e se encontrem com o curso dos acontecimentos, práticas educativas, estruturadas, orientadas e experimentadas: oficinas, gincanas, debates, grupos de poetas, conjuntos musicais, jogos esportivos, campanhas pela preservação do meio ambiente e outras iniciativas propostas. Diz-nos a propósito Edgar Morin “O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos, e por este motivo, deve ser uma das finalidades da educação do futuro”. [1]
      O planejamento escolar é vinculado à realidade pessoal e social da escola, com pesquisa prévia, de sondagem e aptidões ou necessidades, inferindo que o processo ensino-aprendizagem se apresenta não só aos educadores, mas também aos pais e membros da comunidade. Em vista disso, propõe uma alternativa para o trabalho escolar: o envolvimento da escola na efetivação de um processo de participação que integre a família, a escola e a comunidade, de maneira crítica, consciente e desafiadora.
      Acreditando que a partir desse tipo de ação a escola deixará de ser uma realidade estática, geograficamente estruturada, para transformar-se em função dinâmica, englobando a totalidade dos seus aspectos, envolvendo múltiplas situações, formas e meios de ensino-aprendizagem existentes dentro da comunidade, através da ação organizada de seus membros.
      As atividades educacionais são planejadas a partir das reais necessidades da comunidade e visando, de uma forma ou de outra, a preparar indivíduos atuantes, que possam suprir essas necessidades e resolver seus grandes problemas.
      Uma escola nascendo da comunidade e revertendo seu produto para a solução dos problemas dessa mesma comunidade, num fluir constante, contínuo e significativo, sem modelar os homens para um determinado padrão, mas preparando-os para cumprir sua parte na sociedade em que vivem, num esforço de encontrar novo equilíbrio no seu meio ambiente.
      Nessa perspectiva, a efetivação do Planejamento Participativo a partir da escola, a transformar em um centro polivalente onde planeja lazer, saúde, economia, política, religião e outros.
      Na relação participativa e democrática não existe uma relação de subordinação de nenhuma espécie entre educadores familiares e educadores escolares. Pais, professores e direção da escola são vistos como partes interessadas no sucesso escolar dos alunos e dos filhos, e para isto, devem atuar, não de forma paralela, cada um por si, nem de forma antagônica, se opondo uns aos outros, mas de forma convergente e complementar, isso é, cooperando ativamente para o atingimento de objetivos comuns.
      O exercício efetivo da autonomia do cidadão e sua consciente participação no processo educacional da comunidade deverão constituir ponto de partida para o planejamento participativo no qual os homens são cotidianamente convocados para encontros, para a convivência humana, assim identificar, incorporar e viver valores é o grande desafio proposto para tornar as relações verdadeiramente humanas nos planos interpessoal e social. As práticas e vivências no dia-a-dia das escolas e das comunidades são exercícios que colocam os educandos diante de si mesmo e do mundo, diante do desafio de valorizar a vida.
      “A expansão da Educação Infantil no Brasil e no mundo tem ocorrido de forma crescente nas últimas décadas, acompanhando a intensificação da urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças na organização e estrutura das famílias. Por outro lado, a sociedade está mais consciente da importância, o que motiva demandas por uma educação institucional para crianças de zero a seis anos”. [2]
      A Educação Infantil é considerada a primeira etapa da educação básica (título V, capítulo II, seção II, artigo 29) LDB nº 9394/96, tendo como finalidade o desenvolvimento integral das crianças até seis anos de idade. Assim considerando-se as especialidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças de zero a seis anos, a qualidade das experiências oferecidas devem contribuir para o exercício da cidadania embasadas nos princípios de respeito à dignidade e aos direitos das crianças, consideradas nas suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, éticas, religiosas etc. pág.13 (introducão).
      De acordo com o Referencial Curricular a estes princípios cabe acrescentar que as crianças têm direito, antes de tudo, de viver experiências prazerosas nas instituições.
      Nesta perspectiva a prática pedagógica da escola, em relação à Educação Infantil, fundamenta-se na pedagogia progressista, pela qual o conhecimento da criança será reelaborado a partir do conhecimento científico, possibilitando a compreensão do mundo real.
      Nesse processo de educação formal, a criança encontrará subsídios que a fortalecerão como pessoa capaz, segura e consciente em diferentes situações.
      O trabalho proposto para a Educação Infantil deverá priorizar momentos essenciais no processo de aprendizagem da criança, tais como: interação com outras pessoas e com o conhecimento, interpretação, reelaboração e internalização e a relação com o mundo exterior, com sua consciência já modificada.
      As relações sociais proporcionarão a mediação necessária para a apropriação do conhecimento pela criança. Através da mediação, a criança será capaz de internalizar e representar o mundo real e desenvolverá o pensamento, a linguagem, a generalização, a abstração, a memória e a percepção.
      O principal elemento mediador é a linguagem, devido à sua função organizadora do pensamento, que permite à criança apreender o significado de suas ações, desenvolvendo sua inteligência.
      Na Educação Infantil para um pleno desenvolvimento, a criança precisa se sentir segura. Nessa fase, os aspectos emocionais são fundamentais, principalmente no tocante ao sentimento de segurança das crianças. É importante criar, na sala de aula e fora dela, atividades em que os alunos possam reconhecer suas emoções e adquirir controle sobre elas.
      O emocional da criança desenvolve-se a partir do conhecimento de si próprio e do seu ambiente. Daí a importância da participação da família na escola. Quanto maiores os conflitos interiores, mais difícil será a adequação em sociedade.
      O ambiente escolar pode e deve propiciar um universo compatível com os anseios da criança e buscar formas de traduzir esses anseios em conhecimentos.
      Não há segredos, mas caminhos. Experiências em todo o mundo apontam a felicidade como fator determinante na integração entre criança, professor e escola.

      “Através da linguagem a criança entra em contato com o conhecimento e adquiri conceitos sobre o mundo que a rodeia, apropriando-se da experiência acumulada pelo gênero humano no decurso da história social. É também a partir da interação social, da qual a linguagem é expressão fundamental, que a criança constrói sua própria individualidade”.

                                                                              Vygotsky in Maria Teresa de Assunção Freitas, 1994.


      O trabalho num processo dialético favorecerá a aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento e novas aprendizagens.
      Esse processo proporcionará o desenvolvimento da autonomia, de maneira que a criança se torne apta a tomar decisões por si mesma.
      As idéias expostas destacam a Educação Infantil enquanto ensino sistematizando, cujo papel é importante no processo de socialização-individualização das crianças, através do conhecimento histórico, considerando desde a família até os grupos mais amplos.
      Ao chegar à escola, a criança traz consigo o conhecimento adquirido no seu cotidiano, marcado pelo senso comum.
      Partindo do pressuposto que o estudo é essencialmente produzida pelo homem, a prática do professor deverá, então, levar em conta que o conhecimento está em constante reelaboração e, portanto, a simples organização, seleção e domínio dos conteúdos por si só não garantem a visão de totalidade desse conhecimento.
      Cabe à escola a transmissão do conhecimento que desvele o movimento e a origem da realidade social, sendo a totalidade histórica o ponto de partida do trabalho.
      Assim, se faz necessário desenvolver uma metodologia dinâmica, num processo dialético de ação-reflexão-ação, para que o aluno compreenda as relações existentes entre o conhecimento e a sua função na sociedade.

      “As crianças estão programadas para aprender, isto é, nascem com uma disposição para aprender sempre que as condições sejam adequadas para tanto. Desde que nascem, tudo o que acontece ao seu redor é uma oportunidade para aprender coisas novas e encontram prazer na própria aprendizagem sem que seja necessário oferecer-lhes algo mais. Perguntam o porquê de tudo o que acontece e estão atentas às menores mudanças em seu entorno. Brincando com outras crianças ou atuando sobre os objetos, as crianças estão sempre aprendendo coisas novas. A escola tem que aproveitara essa capacidade de aprender para ensinar às crianças as coisas pelas quais se interessam e, a partir delas, ampliar seus horizontes e interesses por problemas mais complexos, pelos quais não se interessam inicialmente porque não os conheciam”.

                                                                                                           Juan Delval, educador espanhol.


      Mesmo antes do ingresso na escola a criança observa, questiona e procura explicar os fenômenos do mundo social e natural que é capaz de observar direta ou indiretamente. Na escola, o contato sistemático com o conhecimento acumulado pela humanidade deve ocorrer de forma contínua, relacionando o que a criança descobre por si mesma e as informações que se pretende ensinar. É importante que ela, desde o início da escolaridade, possa ampliar, rever e reformular as nações que construiu (e constrói) em seu dia-a-dia, vindo a reformular, ampliar ou abandonar suas hipóteses e explicações.
      Atualmente,o trabalho pedagógico voltado para o segmento da Educação Infantil deve considerar como um dos seus pressupostos pedagógicos os processos cognitivos, afetivos e sociais que permeiam a aprendizagem das crianças. No documento produzido pelo MEC – O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – encontramos as diretrizes que apontam para a importância de a criança aprende a expressar suas idéias e opiniões, participando, de forma ativa, de seu processo de aprendizagem. Espera-se, assim, que essa criança aprenda a selecionar, assimilar, interpretar, conferir, testar, reformular, surpreender-se, intuir, estimar, explicar e comunicar.


       [1] MORIM, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3a. ed. São Paulo. Vozes, 2001. p.93
       [2] Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil.



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