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  Extensão - Conceito e Diretrizes


1. CONCEITO

      A extensão universitária é o processo educativo, cultural e científico articulada com o ensino e com a pesquisa de forma indissociável e amplia a relação transformadora entre a Universidade e a Sociedade. (CORRÊA, 2004)

2. DIRETRIZES

      Como um conjunto que deve ser de conhecimento e de referência para todos que lidam com a extensão, o marco “conceito da extensão” se complementa com diretrizes. Essas podem ser agrupadas, didaticamente em três perspectivas às quais toda e qualquer ação de extensão deve ser orientada: a relação social de impacto, a interdisciplinaridade e a indissociabilidade ensino - pesquisa - extensão.
      I - A relação social de impacto entre universidade e outros setores da sociedade deve ser, antes de tudo, transformadora, instrumento de mudança em busca da melhoria da qualidade de vida. A atuação haverá de ser deliberada, voltada para os interesses e as necessidades da maioria da população, aliada à movimentos sociais de superação de desigualdades e exclusão e implementadora do desenvolvimento regional e de políticas públicas. Na relação com os outros setores da sociedade, a universidade há de construir uma associação não hegemônica, mas de interação com grupos sociais, bilateral, bidirecional, de mão-dupla, de troca de saberes – popular e acadêmico.
      II - A interdisciplinaridade pode ser caracterizada como interação de modelos e conceitos complementares, de material analítico e de metodologias, buscando uma consistência teórica e operacional que estruture o trabalho dos atores do processo de extensão. Frente à complexidade e dimensão das questões a serem abordadas, a interdisciplinaridade se impõe como diretriz básica desse processo. A prática dessa interdisciplinaridade e da interação com outros setores sociais conduz à interprofissionalidade e interinstitucionalidade. E, uma das mais difíceis questões que a prática coloca no dia-à-dia, o desenvolvimento das relações interpessoais. Assim, a interação de modelos, conceitos, materiais e metodologias se constróem na interação e inter-relação de instituições, profissionais e pessoas.
      III - A indissociabilidade ensino - pesquisa - extensão reafirma a extensão como processo acadêmico: a princípio, nenhuma ação de extensão pode estar desvinculada do processo de formação e da geração de conhecimento. A participação do aluno nas atividades de extensão será mandatária, parte essencial de sua formação técnica e cidadã. Da mesma forma, são indissociáveis da extensão a investigação e a difusão de novos conhecimentos e o avanço conceitual, cabendo, portanto, trabalhar a dimensão conceitual de indissociabilidade.
      a) Em relação ao ensino, a extensão pode trazer uma rica experiência acumulada: o deslocamento do eixo pedagógico clássico professor-aluno para o eixo aluno-comunidade, com novo conceito de sala de aula; a atuação do professor como co-participante, orientador, educador, tutor, pedagogo; a ampliação do conceito de educador, por atuar em rede social, para uma rede de educadores. Na gestão do processo educacional, relativizando conceitos como carga horária, grade curricular, controle acadêmico, verificação de freqüência e de rendimento escolar, avaliação formal por provas e trabalhos escolares e valorizando mais os processos qualitativos, como tomar a avaliação como processo prospectivo e formativo.
      Aspectos fundamentais a serem inovados e desenvolvidos compreendem a abertura dos projetos e ações de extensão à participação de um grande número de estudantes em um processo de flexibilização na formação acadêmica, com a devida integralização de créditos curriculares. Para tanto, torna-se necessária a implementação de um plano didático-pedagógico em cada programa ou projeto de extensão, contemplando, entre outros aspectos, o estudo de bibliografia mínima, a orientação docente e a avaliação. Processos de avaliação objetivos como elaboração de instrumentos didáticos, preparação de monografias, textos, artigos e comunicações deverão ser atividades-meio no processo formativo, da construção da crítica e da memória das ações. Processos de avaliação subjetivos – baseado no interesse, assiduidade, dedicação, ética, auto-avaliação, desenvolvimento de potencialidades de liderança, especialmente dos alunos-monitores, deverão ser didaticamente desenvolvidos. A avaliação acadêmica deverá também estar articulada ao cumprimento de objetivos do programa ou projeto e à avaliação externa.
      b) Em relação à pesquisa, especial atenção deve ser dada à produção do conhecimento na inter-relação Instituição de Ensino Superior (IES) e comunidade, com aplicação de metodologias participativas, e à criação de processos e instrumentos inovadores e replicáveis, que instrumentalizem avanços nas práticas sociais, culturais e tecnológicas. A difusão do conhecimento gerado deverá creditar eticamente todos os envolvidos, inclusive os participantes externos à IES.
      Inserida no seu tempo e espaço, a extensão nas IES, em sua indissociabilidade com o ensino e a pesquisa, poderá contribuir e participar significativamente em processos de desenvolvimento regional e nacional, de construção das políticas públicas, do sistema social, dos direitos humanos, da democracia, da vida e da paz. (CORRÊA, 2004)



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